O samba é um senhor musical já bem mais que centenário e que desde o Brasil - Colonial percorre este solo abençoado espalhando suas batidas e melodias, ritmando o viver desta nossa gente brasileira; amenizando ou exaltando suas lidas. Durante todo esse caminhar vários foram os seus companheiros e precursores, gente que vivenciou de uma maneira ou de outra sua presença, colaborando ou apenas testemunhando sua trajetória e que guardaram em sua memória fatos e histórias, se tornando dessa maneira registros vivos de toda uma epopéia, por assim dizer, ao ponto de alguns serem denominados Guardiões, mas que são mais comumente conhecidos como Velha-Guarda.
Velha-Guarda, essa gente que guarda consigo várias passagens e momentos vividos ou ouvidos, marcantes ou irrelevantes, mas que possuem toda uma carga de importância para o entendimento das origens e do crescimento, seja do samba em um contexto superior ou simplesmente do meio ou comunidade na qual convivem. Sentinelas da cultura e das raízes do samba ou da escola querida, exalam tradição e respeito, mesmo em jovens agremiações carnavalescas.
Muitas, se não todas, são as escolas que reservam espaço para seus baluartes e notáveis, dentre elas as mais conhecidas, talvez por contarem com diversas intervenções musicais fonográficas e audiovisuais, com certeza são as cariocas: Portela, Mangueira, Império Serrano e Salgueiro.
Verdadeiros senhores e senhoras do samba, com uma enorme bagagem de conhecimento cultural, respeitosamente se tratam com muita afeição, sabedores com certeza das dificuldades enfrentadas por todos no desfilar de seus anos. Uma demonstração do carinho com o qual tratam o samba e do respeito com que se relacionam e convivem, pode ser visto num documentário que se encontra disponível no Youtube e que encontrei numa dessas aventuras cibernéticas madrugais.
Dirigido por José Maurício de Oliveira e produzido por “Argumento Programas para TV”, este documentário foi feito durante um encontro musical realizado em dezembro de 2.001 na quadra do Império Serrano, entre os grupos musicais das Velhas Guardas do próprio Império, Mangueira, Portela, Mocidade Padre Miguel e Salgueiro, que se reuniram pela primeira vez para homenagear o grande compositor Mestre Silas de Oliveira. Com diversas entrevistas, contem trechos que o tornam emocionante, como quando das demonstrações mútuas de admiração entre os componentes, não bastasse toda a grandeza cultural do repertório apresentado.
Dividido em cinco partes, vale a pena reservar um instante de nosso tempo para apreciar essa aula de procedimentos, até para que muitos de nós possamos entender ou tentar compreender a verdadeira essência e significado do termo “ser sambista”.
Documentário Sobre o Encontro de Velhas Guardas em Homenagem ao Compositor Silas de Oliveira.
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